Tuesday, July 30, 2013

RADIO :o meu percurso

Os primeiros passos na rádio foram dados em 1963,na ilha da Madeira,na ERM(Estação Rádio da Madeira).
Comecei por apresentar o Programa da Manhã.
Estudante do Liceu do Funchal,levantava-me ás 4 da manhã.Morava no Caminho dos Saltos,nº4,no Funchal, e vinha a pé até a Avenida do Mar para apanhar o autocarro para o Pico dos Barcelos onde ficava a ERM.Ligava o emissor ás 5h30m e ás 6h abria ,com o Hino Nacional,a emissão.
O Programa da Manhã era emitido das 6h até as 8h.
A esta hora saía da ERM tomava o autocarro de regresso ao Funchal.
Corria da Avenida do Mar até o Liceu de Jaime Moniz para não faltar a primeira aula,ás 8h30m.
Com este ritmo diário,a vida de estudante levou um grande sobressalto.
Deixei os estudos e ,em 1964 ,realizei o meu primeiro programa de rádio - Centro da Gente Nova/CGN.
Era emitido na ERM entre as 12h e as 13h.Falava-se de jazz,cinema,literatura e da música anglo-americana.
Em 1965,realizei e apresentei na ERM um programa que mudou a rádio na ilha :ANTES E DEPOIS.
Era transmitido aos sábados no horário das 21.30/22.30.
Era preenchido exclusivamente de música ango-americana.
Em 1966,o censor fascista proibiu-me de continuar na ERM.
Nesse ano,no PEF(Posto Emissor do Funchal) realizei RADIOPOPSHOW.Carlos Martinho Camacho apresentava o show.
No ano seguinte segui para o Porto com intenção de continuar os estudos.
Mas em 1970,regressei ao PEF para realizar CONCERTO - uma hora de música progressiva.José Manuel Pires apresentava o programa.
Depois ,saí de Portugal e segui para Helsínquia /Finlândia e depois Inglaterra ,onde fui surpreendido pela notícia de uma revolução em Portugal.
Uma outra notícia fez-me regressar á Madeira : os médicos tinham diagnosticado doença oncológica a meu pai que viria a falecer três anos depois.
Na Madeira fui aprovado num concurso para redactor do ERAM da EN(Emissor Regional do Arquipélago da Madeira da Emissora Nacional).
Aqui realizei CULTURA POPULAR , SUPLEMENTO DOMINGO e organizei e moderei mesas redondas sobre a política regional.Assinava uma crónica no jornal nacional.
Recebi um louvor na folha oficial da República.

PENICHE,30 de Julho de 2013

Thursday, February 02, 2012

feriados

O meu país tem um grande problema para resolver e dele depende o futuro da nação - os feriados.
Como as leis feitas por governantes devem obedecer à Constituição da República ,sugeria o
seguinte :
a)que fosse tido em conta o princípio da separação da Igreja e do Estado;
b)que fosse tido em conta o princípio da liberdade religiosa .

Do primeiro (separação da Igreja e do Estado) decorre o seguinte -os órgãos do Estado podem fazer leis sobre a vida do país mas não podem fazer leis sobre assuntos da Igreja.
Assim,em matéria de feriados,devem legislar apenas sobre feriados nacionais,dias que a nação respeite nos dias de hoje pelo simbolismo que alimenta a unidade nacional.
Do segundo(liberdade religiosa)resulta que os órgãos do Estado não devem favorecer os indivíduos que pratiquem uma dada religião.
Os feriados nacionais podem ser,por exemplo,o dia da fundação do Estado Português,o dia em que se recordam os que morreram pela Pátria em conflitos internacionais,dias de especial significado para o Povo Português.Penso no Tratado de Zamora(5 de Dezembro) e nos mortos da I Grande Guerra Mundial,nos mortos das guerras coloniais,ou daqueles que morreram a lutar pela liberdade,dentro e fora do país.
Sobre feriados religiosos,os órgãos do Estado deveriam reconhecer o direito aos cidadãos de não trabalhar nos dias consagrados pelas Igrejas como feriados religiosos.

Sunday, November 13, 2011

Errata

Na primeira linha do poema "BIOGRAFIA" falta a frase seguinte:

COM O MUNDO EM PAZ

depois de

NO MÊS DAS UVAS .

Saturday, April 19, 2008

BIOGRAFIA(1)

São dez horas, a hora em que nasci .No mês das uvas . E assim cresci . Os primeiros anos , na Heliodoro Salgado , um jornalista do Porto , anarquista de todas as revoluções perdidas e que Salazar se esquecera de proibir o seu nome a uma travessa , ligando a Conde Carvalhal à Rua Nova da Alegria , na capital da colónia branca , a " fermosa ilha da Madeira " !
Tenho algumas recordações desse tempo abençoado - caí de uma escada de pedra e só parei no fundo do jardim e ainda hoje carrego a prova dos factos ao alto da testa aflorando o cabelo que começara por ser castanho e agora se confunde com a pura neve que encontrei nos povos amigos do Norte da Europa...A morte da tia Maria que me guiava pela mão e enganava o diagnóstico do médico que nunca chegou a duvidar da minha miopia . O inseparável Bobby , branco e negro , como se fosse o filho dos dois que apareciam no rótulo das garrafas de uísque blackandwhite...
José acompanhava a minha recordação em silêncio , descíamos a Calçada do Pico , vindos de uma visita a Aragão , o sobrevivente de uma longa espera às portas da memória , apoiado no braço amigo de Estela , a mulher . Era muito próximo dos dois .
Conheci primeiro o poeta , o escritor e o pintor no fim de uma sessão do Cine-Forum no Teatro Municipal . A ditadura caminhava para o seu esperado fim . Quando parti para o meu exílio finlandês começava a descobrir o historiador . No meu acidental regresso à ilha , na flor da revolução , trabalhámos num projecto de cultura popular , recuperando canções e romanceiros
perdidos , os mesmos que animaram o Conde Dom Henrique na sua longa viagem do centro para o noroeste da Europa... e ajudaram os companheiros de Zarco a aproximar uma ilha perdida no Atlântico , conhecida de piratas e náufragos ...
Estela , recordo-me da sua angústia na casa da Lapa em busca de um médico salvador para controlar a derrapagem do cérebro inigualável de Aragão , uma rede de emoções , cores e odores , factos e lugares que o ajudavam a celebrar , através da arte , a esperança da coroação do homem na marcha acelerada do conhecimento...
Quando recebi a notícia , encontrava-me no Palácio das Necessidades , mergulhado nalgum documento que me ajudava a compreender melhor a próxima viagem e compreendi que era preciso agir depressa para dominar o perigo que pairava nas palavras da incerteza ...
O perigo maior é quebrar o silêncio . Apercebi-me desta verdade ainda muito jovem .Todos os anos , no Liceu do Funchal , havia um concurso literário aberto aos estudantes . O prémio era de 150 escudos . Dava para ir ao cinema trinta vezes , ir à bola dez vezes , comer 150 gelados , comprar 15 romances de Eça ... Quando estava no 1º ano foi-me atribuído o prémio . O "Diário " publicou o conto . Meu pai chamou-me escritor .

No ano seguinte , apresentei-me a concurso com " Labirinto " . E ganhei . Mas não cheguei a receber o prémio . Começara a guerra colonial e o país entrara num inextricável labirinto . Uma vez o graduado da Mocidade Portuguesa chamou-me comunista . Usou o mesmo tom de quando me chamava "caixadóculos " .
Um colega de escola levou-me à Estação Rádio da Madeira , no Pico dos Barcelos . A rádio fascinou-me . Um programa de rádio era o meu sonho . Quando criei o "Antes e Depois ", exclusivamente de música anglo-americana , o censor fascista exigiu a tradução das canções dos Beatles - perguntei-lhe se a PIDE não tinha tradutor de inglês ... Fui proibido de entrar na estação ...

José decide-se por organizar o silêncio , compreendê-lo , purificá-lo . Talvez a Poesia , a Música...
Por alturas do Convento de Santa Clara , ofereceu-me um livro que acabara de publicar - " Aventura na casa dos livros " com uma dedicatória recordando o nosso trajecto literário " onde juntos percorremos os corredores ilhéus da memória "... Ah , sim... Era por aqui que minha mãe me recomendava silêncio - " ali dentro está o corpo de Zarco " , depois seguíamos por uma rua escura que desmbocava na Cruz Vermelha , no largo da confluência com a 5 de Outubro que dava para uma ponte às portas da Casa Hinton & Sons e eu soltava um suspiro de alívio pois deixara para trás uma curva mal iluminada por umas lamparinas baças guardadas por uma vidraça suja " em honra das almas "... O Natal de 2000 caminhava para o fim e eu preparava-me para regressar a África . Nunca mais nos encontrámos .

A 21 de Março , Dia da Poesia , bati às portas da Morte mas não fui recebido . Um avião-hospital levou-me para Joanesburgo e regressei ao mundo dos vivos , que falam de silêncio como se fosse música - " a pedra de cantaria despida pelo pudor das marteladas do tempo , apontava um calendário , incomum , desfolhado , onde se regista o amor no orvalho das madrugadas " .
Folheámos juntos um livro de Farllenghetti que iludira os fiscais das Letras , juntos escrevemos na Página 2000 do JM , acreditámos na esperança do "Movimento" imaginado por Vieira de Freitas , tal como Cadernos da Ilha , de que José foi um continuador interessado desde a primeira reunião , em 1976 , numa sala do Teatro Municipal de Baltazar Dias .

No meu regresso do exílio , o entusiasmo da Revolução levara-nos à Rua da Carreira - José entrou pela porta do CDS e eu pela do PCP ...Vieira de Freitas vai propor-me em 1979 para militante socialista depois da invasão soviética do Afeganistão me ter afastado definitivamente do Partido Comunista... No Hospital dos Capuchos fiz a última visita a Vieira de Freitas . Já não me reconhecia , poucos dias depois de uma conversa de quatro horas num café da Trindade . José e Vieira de Freitas eram da mesma família e traziam na alma a música da Poesia .

Lisboa, Janeiro de 2008 .

Tuesday, April 15, 2008

LEITURAS DE PRIMAVERA

Agora estou a ler :

O ESPÍRITO DO LUGAR de António Aragão , Ed. PF , Lisboa , 1992.

O historiador percorre uma etapa da história da cidade do Funchal - SANTA MARIA DO CALHAU,
A CIDADE DO AÇÚCAR , A CIDADE DO VINHO , RUA DO ESMERALDO , CASA DE COLOMBO,PALÁCIO DA RUA DO ESMERALDO .

Autonomia(2)

Há séculos que os habitantes das ilhas pediram ao Poder Central uma forma de participação insular - o Rei , o Infante nunca aceitaram . O abandono em períodos de crise era a solução . Os madeirenses seguiram guiados pela estrada do mar - emigraram . Mas não vieram para a Europa .
América , África , Austrália - o destino . Foi duro o centralismo fascista .
Surpreendentemente , os madeirenses resistiram .
Na revolução , foram esquecidos pelo MFA .
Quando os delegados da revolta chegaram à Madeira , ainda se publicava a VOZ da União Nacional .
Alberto João era o redactor .
O MFA prometeu no programa descolonização , democracia , desenvolvimento .
Embora a ilha tenha sido coberta pelo Estatuto Ultramarino (tal como Angola )o certo é que não foram consultados nessa altura - que modelo de governação pretendiam ?
A Assembleia Constituinte estabeleceu o modelo que entendeu , como nos velhos tempos .
No período revolucionário , um grupo de madeirenses (conhecidos apoiantes da ditadura fascista ) incentivaram o recurso à violência contra o curso da revolução .
Democratas foram perseguidos e expulsos da ilha .
Quando ocorreram eleições para a Assembleia Regional , o campo democrático estava obviamente enfraquecido .
A comunicação social estava controlada pela rapaziada do 24 .
Sem dúvida que a ilha se desenvolveu .
Mas a democracia saíu burlada por um punhado de incondicionais fascistas .
Depois de mais de trinta anos de sectarismo político, queriam um referendo...Os madeirenses merecem outro tratamento!

Tuesday, January 15, 2008

LEITURAS DE INVERNO

Agora estou a reler ANTÓNIO ARAGÃO e a sátira mortal de OS BANCOS (antes da nacionalização).
Com ele ,fiz na rádio meia centena de programas de CULTURA POPULAR (Madeira,Emissora Nacional,1974-75). Foram 500 horas de gravação de romanceiros,canções,rezas.Muito desse material chegou à ilha com os primeiros povoadores , no século XV. O movimento terrorista FLAMA , alimentado nas páginas do "Jornal da Madeira" pelo anticomunismo primário de Alberto João Jardim ,bombardeou o centro emissor, destruindo-o.O programa continuou a ser transmitido no POSTO EMISSOR do FUNCHAL , graças à intervenção de uma família descendentes de ingleses,os Clode .
Estou a reler a poesia de ANNA AKHMATOVA - THE COMPLETE POEMS .O Prefácio de Roberta Reeder é o melhor que se tem escrito sobre ANNA.Zephir Press,Boston.

Friday, October 12, 2007

Sobre a autonomia (1)

A história das relações Madeira/Poder Central indicia divergências desde o século XV e petições de habitantes da ilha tentam acordar a sonolência real chamando a atenção para as especificidades da ilha e realçando a necessidade de uma administração própria . Levaram séculos para Portugal entender o que é Autonomia ... e não parece que a tenham entendido correctamente ...
Se alguma figura do Estado deveria ter estado presente na posse dos Governos Regionais seria , sem dúvida ,o PR . O recurso a MR(Ministro da República) , Ministro ou outras entidades governamentais para o desempenho daquela função é uma contradição nos próprios termos e uma indisfarçável propensão para o modelo do Estatuto Ultramarino , que Deus haja ...

LEITURAS DE OUTONO

Agora estou a ler :

Ben Hellman
"Poets of Hope and Dispair"

Helsinki , 1996

2 . L ´Horizon est en feu , Gallimard.

Apresentação e selecção de Jean-Baptiste Para .

Cinco poetas russos do século XIX .